terça-feira, 17 de setembro de 2013
A ciência e a cozinha
Um dos objetivos do sistema de ensino formal é que os conteúdos ensinados em sala de aula tenham aplicabilidade no cotidiano. Desse modo, alguns professores de Química e Biologia usam o ato de cozinhar como estratégia para demonstrar as reações químicas e biológicas.
A professora de genética Adlane Vilas-Boas, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB–UFMG) compartilha desse modo de estratégia:
“É preciso aproveitar a curiosidade dos alunos ao redor de algo que todos gostam”. Da mistura dos ingredientes ao pão assado, o aluno vê diante dele várias etapas de conhecimento científico — pode visualizar no microscópio as proteínas da farinha de trigo, que no movimento de sovar a massa passam por reações necessárias à formação do glúten. E que substância é essa? É uma proteína responsável pela elasticidade da massa produzida com farinha de trigo. O amido vai embora e sobra o glúten, que é uma substância emborrachada.Na biologia, o professor pode explorar o sistema nervoso, como funciona a química dos receptores para o gosto e o olfato. Sabe o cheirinho bom de bolo assado ou bife acebolado? Pois então, é um exemplo de química que os alunos desconhecem. “Em altas temperaturas, a mistura de proteínas e carboidratos resulta em moléculas voláteis, que vão para o ar e instigam o nosso olfato”, explica Adlane.
Professor de química do Colégio Técnico da UFMG, Alfredo Luís Martins Lameirão Mateus diz que a culinária pode ser usada como atividade prática para experimentação e explorações. Se bem usada, segundo ele, pode levar o aluno a entender melhor como funciona a ciência, e ver a química como algo ao seu alcance, que acontece o tempo todo ao seu redor.
“As coisas que acontecem no dia a dia são mais familiares, os materiais são em geral baratos e fáceis de conseguir, os experimentos são mais seguros — alguns são até comestíveis — e as pessoas em geral têm curiosidade sobre o assunto”, comenta.
O ciclo de aprendizagem na cozinha pode incluir ainda o sistema digestório e as reações químicas dos alimentos no organismo. “Boa parte dos alunos tem muita curiosidade pela ciência”, afirma o professor Mateus. “Em uma situação mais informal, sem ter de memorizar fórmulas e realizar cálculos repetitivos, eles demonstram bastante interesse pelo assunto.”
Quer saber mais sobre o assunto? No Portal do Professor você pode conferir diversas atividades que envolvem ciências e culinária.
Fonte: Portal do MEC
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