domingo, 15 de setembro de 2013

Luz, câmara e educação




Nesta sessão, traremos dicas de filmes com a temática educação. Começamos hoje com este longa sensível e emocionante "A Língua das Mariposas".

Ficha técnica
Filme: A Língua das Mariposas
Direção: José Luís Cuerda
Gênero: Drama
Produção: Espanha, 1999
Premiação: Recebeu o Prêmio Goya de melhor roteiro adaptado.




Em meio a efervescência política no período antecedente a ditadura de Franco, “A Língua das Mariposas” conta a relação de amizade e construção de saberes entre Moncho e o seu professor Don Gregorio.
Moncho é uma criança de 7 anos que vai passar pela experiência de ir pela primeira vez à escola. Temeroso de que haja castigos corporais, o menino questiona ao seu irmão se há mesmo esse tipo de conduta por parte dos mestres. No momento que o irmão afirma que já fora castigado, Moncho fica mais receoso pelo o que está por vir.
Atendendo aos temores, Moncho passa pela experiência traumatizante de ser caçoado pelos colegas de sala já no primeiro dia de aula, fazendo com que o menino fugisse da escola e com o desejo de não voltar.

O professor Don Gregorio, preocupado e atencioso, vai até à casa do aluno e pede desculpas pela situação vexatória que Moncho passou e, a partir desse momento, os dois estreitam laços fraternos e admiração mútua.
A cada dia que Moncho assiste as aulas, sua percepção sobre o mundo é ampliado à luz do processo de ensino e aprendizagem e isso é trazido em especial, nas aulas acampais, em meio à natureza.
            Convicto de seus conceitos políticos e de sua função social, Don Gregorio é atuante em sua profissão e disposto a ensinar e também aprender com seus alunos, apesar de sua enorme experiência na prática docente. O comprometimento com o ensino é destacado na cena em que o pai de um aluno o “direciona” para que o mestre use o autoritarismo em sala de aula para que o seu filho aprenda Matemática e “presenteia” a Don Gregorio dois frangos vivos. Incomodado com essa situação, o mestre devolve ao aluno os regalos.

            Por fim, a ditadura franquista eclode na pequena vila, em especial na família de Moncho, e republicanos, comunistas ou pessoas simpatizantes as ideias esquerdistas são perseguidas e presas. Isso faz com que, a título de sobrevivência, a família de Moncho adote uma postura de ir contra aqueles que antes eram seus amigos e admiradores do regime republicano na Espanha; e, dentre os presos, está Don Gregório, o mestre que Moncho admirava tanto.

            O filme deixa uma lacuna no final, uma reflexão de que os choros e as palavras do aluno foram de tristeza para enfatizar que não esqueceria o que apendeu com Don Gregório ou de total repúdio pelo fato do professor assumir seu posicionamento político, devido à sua convicção progressista e libertadora.

            O filme nos leva refletir como a prática docente deve ser trabalhada na discussão de ideias, incentivar o aluno ao pensamento crítico e autônomo, que o professor não está alheio ao contexto político e social no qual está inserido e como sua vivência pessoal e sua visão sobre o mundo influenciam e determinam o seu trabalho.  

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